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Ensaio Honda HR-V 1.6 i-DTEC: uma pena ser esquecido

O AUTOMONITOR já ensaiou o HR-V, é verdade, mas também é verdade que o Honda é dos melhores modelos do segmento e tem andado “esquecido” ao longo destes dois anos. Por isso decidi voltar a pegar num e perceber se a minha ideia inicial continua a mesma, mais de dois anos depois da sua apresentação.

[quote align=”right” color=”#999999″]A verdade é que o Honda é um automóvel agradável à vista, eficaz, eficiente e surge muito bem equipado. Uma belíssima opção se quiser der diferente da multidão adepta do Qashqai e do CX-3.[/quote]
Recordam-se do original? Não aquele de cinco portas, o primeiro com apenas três portas que parecia um carro normal arregaçado? O original HR-V, vejam lá, tinha como base o Logo, o citadino da Honda e tinha este nome – e isto é a Honda que conta no seu sítio oficial! – porque se chamava High-Rider Revolutionary Veihcle. O que isso queria dizer? Bom, nada! Era apenas uma forma de o destacar como membro da família SUV da Honda, nascida com o CR-V, um veículo que mantendo mais espaço para bagagem, posição de condução dominante e reduzidos consumos, tivesse maior maneabilidade que o CR-V. O modelo ficou conhecido, também, como “Joy Machine” forma de piscar o olho aos mais jovens. Nasceu em 1999, viveu até 2006 e em 2003 foi descontinuada a versão de três portas em favor da mais versátil de cinco portas. Era um carro moderno e à frente no seu tempo, pois tinha ABS, airbags, ESP, entre outras minudências. Nunca teve motor diesel e isso acabou por o “matar” no Velho Continente, tendo desaparecido do mercado há mais de uma década.

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Hoje, o cada vez mais lucrativo segmento dos crossover foi irresistível e a Honda promoveu o ressuscitar do HR-V com um carro que, claramente, faz parte do grupo de modelos onde dominam o Nissan Juke e o Renault Captur. Porém, a Honda afirma, categoricamente, que quer roubar clientes ao segmento do Nissan Qashqai, Renault Kadjar, Mitsubishi ASX, Opel Mokka e Mazda CX-3. Tem argumentos para isso?

Bom, o HR-V não é um carro novo, pois foi apresentado como protótipo em 2014 em Nova York e na versão de produção no Salão de Los Angeles. Tem como base o Jazz e chegou primeiro aos Estados Unidos e depois ao Velho Continente. No seu regresso, o HR-V é, no papel, um carro promissor. Muito!

Para já tem motor a gasóleo. O bloco 1.6 litros com 120 CV é excelente e está equipado com uma caixa de velocidades que veio diretamente dos EUA do Accord V6. Mas há mais. Por exemplo, a bagageira que exibe generosos 470 litros, envergonhando o mais encorpado Qashqai (“apenas” 430 litros). Ou os bancos mágicos, a arrumação interior e o amplo espaço oferecido para todos os ocupantes, além de um acesso à bagageira baixo. Tudo pontos que gosto muito no HR-V.

Mas… há mais! A Honda trabalhou muito na insonorização, sendo o habitáculo do HR-V um local sossegado, aqui e ali perturbado por um mais maroto ruído aerodinâmico ou pela passagem por cima de um obstáculo que faz chegar uma maior vibração ao interior. Nada de decididamente mau ou penalizador.

A qualidade dos materiais é boa, com exceção de alguns pormenores como o forro do tejadilho mal rematado sendo possível meter a mão dentro dele junto ao para-brisas ou algumas zonas mais remotas servidas por plásticos duros. Ainda assim, o HR-V tem boa qualidade de montagem e de materiais. Suficiente para suportar o peso dos anos tal como sucede com muitos Honda do passado. Além da boa qualidade, destaque para a boa montagem, exceção feita ao tal pormenor que acima refiro do forro do tejadilho.

O estilo do HR-V foi ditado por aquilo que americanos e japoneses desejavam e por isso é que parece desfasado face ao novo Civic (também é mais velhinho…). Fica assim como que a meio da ponte, pois quando ficou definido já estava decidido que não iriam continuar a apostar no futurismo do anterior Civic. Como o novo ainda vinha longe, ficou assim. E a verdade é que não está nada mal e, visualmente, é agradável á vista com as suas proporções compactas e as formas redondas que marcam a lateral e a traseira, com o detalhe do puxador da porta traseira estar escondido. Não é original, mas fica bem. Na frente, voltamos aos faróis que rasgam a frente e desaguam numa grelha com moldura negra. Enfim, os homens da Honda conseguiram sacar um desenho musculado que está nos antípodas do menos inspirado estilo do HR-V original. Há modelos mais bonitos, é verdade, mas o HR-V é um bom exercício.

No interior, a Honda voltou a rejeitar o futurismo do Civic e por isso mesmo o HR-V é muito mais convencional, estando tudo mais bem arrumado na zona frente ao condutor e na parte inferior. O Honda Connect, sistema de info entretenimento da casa japonesa, está muito bem integrado no topo da consola central, com os comandos da climatização colocados debaixo do ecrã sensível ao toque de 7 polegadas, sendo também eles sensíveis ao toque. Tudo envolvido por um tablier que parte dele está virado para o condutor.

A alavanca da caixa fez-me recuar uns anos até ao S2000, pois o nicho onde está ancorada a alavanca, curta e perfeita na localização, é praticamente igual. Espetacular a ideia ainda por cima quando a alavanca da caixa de velocidades manual é um regalo de ergonomia, beleza, suavidade e precisão. E lembra modelos antigos da Honda!

Os bancos dianteiros são confortáveis e possuem belíssimo apoio lateral. Já atrás, o espaço em altura não é tão generoso e o banco é mais duro e desconfortável o que vai provocar algumas reclamações em longas viagens. E posso dize-lo sem problemas, pois cumpri alguns quilómetros no banco traseiro do HR-V e, na verdade, precisavam de um pouco mais de almofada.

Voltando ao posto de condução, ficamos muito bem sentados e tudo roça a perfeição o que, cumprindo com o requisito do banco do condutor estar mais elevado, ali a meio caminho entre a posição de camião e a posição de desportivo de alguns dos rivais do HR-V, permite que a ideia de crossover não seja traída e satisfaça os clientes.

Palavras finais para o motor 1.6 i-DTEC, uma unidade que funciona de forma suave, silenciosa e sempre com muito binário disponível. E no HR-V, levezinho (não passa dos 1300 quilogramas!) exibe-se na sua melhor forma, mesmo que na versão de 120 CV. Contas feitas ao consumo, consegui uns muito interessantes e agradáveis 5,7 l/100 km. Quanto ao comportamento, o trabalho feito no chassis e suspensões do HR-V resultou num carro onde existe pouco rolamento da carroçaria, a condução é sempre fácil devido a uma direção com o peso certo, mesmo que desprovida de sensibilidade, e um bom controlo da subviragem.

Veredicto

Gostei muito do HR-V e de como a Honda soube reinventar um carro que estava “morto” há anos. Crossover, o HR-V não vai retirar a coroa ao Nissan Qashqai e acredito que essa não é a missão deste modelo. A Honda quer dizimar os seus adversários nipónicos, com o Mazda CX-3 à cabeça. Acredito que o Mazda é ligeiramente melhor que este HR-V, mas a verdade é que o Honda é um automóvel agradável à vista, eficaz, eficiente e surge muito bem equipado. Uma belíssima opção se quiser der diferente da multidão adepta do Qashqai e do CX-3.

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FICHA TÉCNICA

Honda HR-V 1.6 i-DTEC

Motor 4 cilindros em linha, injeção direta, turbodiesel; Cilindrada (cm3) 1597; Diâmetro x curso (mm) nd; Taxa compressão nd; Potência máxima (cv/rpm) 120/4000; Binário máximo (Nm/rpm) 300/2000; Transmissão e direcção Tração dianteira, caixa manual de 6 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr) Independente tipo McPherson; eixo de torsão; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura  4605/1835/1685; distância entre eixos 2630; largura de vias (fr/tr) nd; travões fr/tr. Discos vent./discos; Peso (kg) 1395; Capacidade da bagageira (l) 395/1456; Depósito de combustível (l) 50; Pneus (fr/tr) 225/65 R17; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 10,1; velocidade máxima (km/h) 192; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 4,2/4,6/4,2 (consumo real medido 5,7 l/100 km); emissões de CO2 (g/km) 104; Preço da versão ensaiada (Euros) 29.595

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