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Ensaio Hyundai i20 Coupé 1.0T: Rebelde com estilo

Num passado que agora parece longínquo, os pequenos utilitários com carroçarias de três portas simbolizavam o acesso ao mundo dos desportivos de baixo custo e de fácil manutenção. O Hyundai i20 Coupé assume-se como um ‘herdeiro’ dessa época, chegando ao mercado dos utilitários com uma terceira variante – mais desportiva a juntar ao aventureiro i20 Active e ao versátil 5 portas – estreando motor 1.0 T-GDI de 120 cv.

Não raras vezes a potência dos antigos pequenos desportivos não excedia os 90 cv ou 100 cv para valores de peso em redor dos 900 kg (por esta altura, estará a pensar nos saudosos Peugeot 205 GTi ou no Citroën AX Sport, certamente), mais do que suficiente para uma geração que tinha Kurt Cobain ou Axl Rose como ídolos pensar em ritmos mais mexidos ao som de hits como Smells Like Teen Spirit. Na mesma época, o Autódromo do Estoril enchia-se para assistir a corridas dos troféus AX, entre outros… Cerca de duas décadas volvidas, o panorama alterou-se no segmento dos utilitários. As variantes desportivas assumem cada vez mais uma aura de modelos de nicho, mas a Hyundai arrisca numa variante de três portas com estilo coupé tendo por base o bem-sucedido i20 de cinco portas.

Nova ‘alma’

Uma das principais mais-valias deste Hyundai está na estreia do motor 1.0 T-GDI de 120 cv, uma opção mais potente do mesmo bloco a gasolina com 998 cm3 e de três cilindros que também anima o i20 Active, mas com ‘apenas’ 100 cv. E se dúvidas existissem, este motor é verdadeiramente interessante de explorar com elevada disponibilidade desde uma faixa de rotações muito baixa. Os 172 Nm de binário estão disponíveis a partir das 1500 rpm e proporcionam uma experiência de condução eficaz, tanto mais que o bloco sente-se ‘a mexer’ desde as 1200-1300 rpm, facilitando as recuperações e a condução mais despreocupada do dia-a-dia. A caixa de seis velocidades tem manuseamento igualmente competente e é outro dos atributos importantes desta variante, proporcionando competência melhorada em autoestrada. Em condução tranquila, o novo motor assume-se como um aliado precioso para viagens despachadas e sem grandes preocupações. Mas em ritmos mais desportivos exige, aí sim, um maior recurso à caixa e pé direito mais veemente no acelerador para esticar o motor até perto do ‘redline’.

É a partir das 2000 rpm que o i20 1.0T Coupé se sente mais ‘atlético’ para uma condução mais espirituosa, sendo possível elevar as rotações de forma fácil e proveitosa até às 5000 rpm sem que se note uma perda de fulgor. De forma sucinta, o novo motor 1.0 T-GDI está ao nível dos melhores em termos de prestações. Por outro lado, a sonoridade tipicamente triclíndrica é mais audível no Hyundai do que nalguns dos seus rivais, essencialmente ‘a frio’. Com o ‘aquecimento’ melhora imenso, quase desaparecendo a não ser quando se ‘procura’ mais do motor. Já os consumos são difíceis de fazer chegar aos valores anunciados pela marca Coreana. São prometidos 4,8 l/100 km, mas em condução com 60% de cidade e o restante entre nacional e vias rápidas o nosso valor do ensaio foi de 6,8 l/100 km.

Chassis bem-nascido

O amortecimento é ligeiramente mais firme do que no cinco portas, mas o i20 Coupé não perde a compostura em mau piso, possibilitando viagens cómodas aos ocupantes. O comportamento, por seu turno, surpreende pela positiva mercê de um chassis bem concebido de raiz. Com direção precisa e eixo traseiro muito estável, o i20 Coupé mostra agilidade dinâmica digna de registo, algo que os pneus Pirelli Cinturato P7 associados a jantes de 17″ também ajudam.

Regra geral, a qualidade – tanto por dentro, como por fora – está em muito bom nível para o segmento, exibindo rigor de montagem elevado. Os materiais utilizados são maioritariamente em plástico, mas aparentam robustez e na parte superior do tablier existe uma superfície suave ao toque. Caso para dizer que, também aqui, a Hyundai coloca o i20 ao nível dos melhores na classe. Apenas poderia ter um pouco mais de… exclusividade desportiva. A posição de condução encontra-se facilmente e o espaço para os restantes ocupantes, mesmo atrás, tanto em altura como em amplitude para as pernas, não fica atrás da versão de cinco portas. Pelo contrário, aceder aos mesmos já é mais custoso, havendo ainda que notar a maior dificuldade na visibilidade posterior a partir do retrovisor interior devido ao óculo traseiro pequeno. Estilo ‘oblige’ nesta variante de três portas.

Nota final para o bom nível de equipamento: ar condicionado automático, teto de abrir elétrico, volante ajustável em altura e profundidade, sensores de luminosidade e de chuva, cruise control e sensores de estacionamento traseiros, para um valor de base que é acessível, mesmo que não seja uma ‘pechincha’. Ainda assim, a Hyundai enfatiza o seu apelo com uma campanha. O preço de lançamento é de 20.066 euros, mas em virtude de uma campanha com financiamento (incluindo pintura metalizada) o custo deste i20 Coupé fica-se pelos 19.316 euros.

Mas há mais. A Hyundai promove ainda oferta de 2850 euros no caso de financiamento exclusivo Santander Consumer, a que se juntam oferta de 2100 euros a pronto pagamento e ainda o sistema de infotainment (composto por sistema de navegação, ecrã tátil e câmara traseira), além das ofertas sob o signo do número 5, ou seja, 5 anos de manutenção programada, 5 anos de garantia sem limite de quilómetros, 5 anos de check-ups gratuitos e 5 anos de assistência em viagem. O caso fica sério.

VEREDICTO

O estilo ficou propositadamente para o apontamento final. Este Hyundai i20 Coupé é, não obstante a subjetividade inerente ao próprio tema, o mais elegante da gama do i20, com proporções robustas que lhe conferem um look agressivo. Mas não é esse o seu principal atributo. Esse reside na combinação de motor a gasolina de nova geração – sobrealimentado e resultado da estratégia de downsizing – com dinâmica muito competente e espaço suficiente para os passageiros. A campanha de lançamento e os critérios de equipamento tornam-no numa proposta deveras apelativa, alimentando a ânsia de quem procura um utilitário estiloso e dinâmico q.b. sem prejudicar o conforto. Fica, de forma relevante, entre as melhores propostas do segmento e assume-se como uma alternativa competente aos SEAT Leon SC, Volkswagen Polo 3P, Ford Fiesta ou Opel Corsa 3P…

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