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Ensaio Range Rover Velar D300: sumptuosidade

Surgiu da necessidade de preencher o espaço existente na gama Range Rover entre o Evoque e o Sport sendo, por isso, maior que o primeiro e mais pequeno que o segundo. Utiliza uma nova plataforma que partilha com o Jaguar F-Pace e faz-se pagar bem caro com preços próximos ou acima dos 100 mil euros. Chama-se Velar e recupera o nome dado aos primeiros protótipos do Range Rover original em 1969.

[quote align=”right” color=”#999999″]Anda depressa e curva de forma segura em alcatrão, tem enorme capacidade fora de estada, melhor que a maioria dos rivais. O interior é tecnológico, feito com qualidade e deixa qualquer um de boca aberta, sendo um local onde se está bem. Seguro, relaxante, o Range Rover Velar é bonito. Se isso vale os 100 mil euros pedidos…[/quote]
O estilo bem conseguido do Velar “esconde” um tamanho inferior aos cinco metros (tem exatamente 4803 mm de comprimento, 2032 mm de largura e 1665 mm de altura), tornando-o rival de modelos como o BMW X4 (embora fique entre este o X6), Mercedes GLC e GLE Coupe e acima do Audi Q5, além do F-Pace da Jaguar.

Perante tão ilustre companhia, o Velar é um carro com aparência luxuosa que faz jus ao preço final, elevado. Como acabei de dizer, o estilo é muito bem conseguido com uma linha de cintura muito elevada, uma superfície vidrada estreita e esticada até à traseira longa para lá do eixo que quase se funde com o tejadilho descendente, resultando numa traseira afunilada do mais belo efeito. O para brisas está bem inclinado e a frente é uma réplica dos restantes Range Rover, com linhas simples, mas do mais belo efeito. Destaque ainda para as falsas entradas e saídas de ar do capot e por baixo dos espelhos exteriores. Enfim, parece que o departamento de estilo da Range Rover pegou no Range Rover Sport e esticou-lhe a pele, fez-lhe uma lipoaspiração na traseira e detalhou pormenores que rimam perfeitamente com o estilo do Velar.

Franquear a porta, oferece acesso a um mundo ainda mais tecnológico onde forma e função rimam de forma admirável. A altura ao solo é generosa, mas não tão alta como sucede nos restantes Range Rover, a posição de condução próximo da perfeição permite-nos desfrutar de um habitáculo que é, realmente, diferente. Vantagem Land Rover que não fabrica outros modelos que não SUV e assim não tem de instalar um interior que não é mais que uma réplica de outros modelos da marca. Tal como sucede com a Audi, BWM, Mercedes, Alfa Romeo ou até a Jaguar. E aqui tirar o chapéu à Jaguar Land Rover que resistiu á tentação de colocar o interior do F-Pace no Velar.

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Seja como for, o Velar não dispensa a arrumação tradicional da marca com um retângulo forrado a pele a fazer de base ao tabliê que depois acolhe a consola central, formando um “T” que, há alguns anos, foi inspirado pelos barcos. Os generosos ecrãs dominam a visão á nossa frente e aqui e ali foram colocados detalhes em madeira ou alumínio escovado e, nas portas, o mesmo tema com a possibilidade de utilização de madeiras ou metais. O minimalismo é visível na ausência de molduras nos ecrãs e na arrumação simétrica de todos os comandos. Todos, é uma força de expressão, pois quase tudo é controlado pelos ecrãs de generosas dimensões sensíveis ao toque do mais belo efeito.

Depois há os detalhes que fazem a diferença, como o picotado da pele dos bancos e das grelhas dos altifalantes para o sistema de som e do sistema Bluetooth, formam um padrão que reproduz a bandeira do Reino Unido, a Union Jack. Ou os satélites colocados no volante também sensíveis ao toque – com iluminação inteligente, iluminando as funções escolhidas, escondendo as outras ou passando a negro sempre que não se está a usar os satélites – e o comando da caixa de velocidades que se eleva quando ligamos o carro. Não é novidade, mas dá sempre uma sensação de avançada tecnologia.

Como referi, os dois ecrãs de enorme qualidade, sem moldura e negros quando a ignição não está ligada, são o destaque do interior do Velar. O colocado no meio do tabliê a encimar a consola central arruma todos os sistemas de info entretenimento, ligação ao smartphone, à internet, sistema de navegação, streaming de áudio, etc.. O ecrã que está abaixo deste, onde se destacam dois botões de generosas dimensões com pequenos ecrãs interiores, controlam o sistema de climatização, o aquecimento dos bancos, a massagem incluída nos mesmos e, também, os modos de condução. Numa primeira abordagem pode parecer tudo muito complicado, mas rapidamente percebemos que tudo é muito intuitivo e fácil de controlar. Além disso, a qualidade do ecrã permite mostrar imagens do Velar do mais belo efeito.

O painel de instrumentos é totalmente digital e é complementado com um muito bom sistema de projeção de informação no para brisas (head up display). Mas toda esta parafernália tecnológica tem, ainda, mais uma surpresa. Além de podermos reconfigurar o painel de instrumentos e dividir os ecrãs em várias áreas em simultâneo, é perfeitamente possível exibir as informações do sistema de navegação, áudio, regulações do carro e mais detalhes, ao mesmo tempo sendo desnecessário andar a alternar entre os vários sistemas. Por exemplo: pode ter um mapa 3D do sistema de navegação e outro mapa de detalhe do local para onde vai, enquanto controla o “streaming” de áudio do seu smartphone. As opções são inúmeras e não tenha receio com a velocidade dos sistemas, pois os processadores são velozes e de qualidade e a sensibilidade dos ecrãs excelente. O sistema de som é de qualidade superior, pode o sistema funcionar como hot spot WiFi e estão instaladas uma série de aplicações. E se quiser algo mais do sistema de som, abra os cordões à bolsa e opte pelo sistema Meridian. Asseguro-lhe que é absolutamente fabuloso!

Naturalmente que há coisas menos conseguidas. Por exemplo, o tamanho dos bancos rouba algum espaço aos ocupantes do banco traseiro, nomeadamente para arrumar as pernas. Não quer isto dizer que alguém siga acanhado dentro do Velar, mas olhando ao tamanho do carro, poderia ser melhor. O mesmo discurso se aplica à ausência de espaços de arrumação com dimensões generosas. Talvez a única concessão da função ao estilo do habitáculo.

A bagageira parece pequena, porque estreita, mas a verdade é que o Velar oferece 673 litros de capacidade que se esticam a 1731 litros com os bancos traseiros rebatidos, cifras que são as melhores do segmento. Detalhe: se for um fundamentalista e entender que não se deve usar pele de animais no carro, pode escolher um tecido especial texturado e ficar em paz com a sua consciência.

Há vários motores para o Velar e a mim tocou-me o segundo melhor, o V6 turbodiesel com 3 litros de capacidade e 300 CV. Suave, silencioso, na maior parte do tempo o motor não passa de um rumor, mas quando carregamos no pedal do acelerador com decisão, o V6 faz-se escutar… e sentir! O barulho não incomoda e a força que demonstra permite que entre as 2 e as 4 mil rotações tenhamos debaixo do pé direito nada menos que 700 Nm! Para ajudar a gerir este poderio, está a caixa automática de oito velocidades cujo controlo eletrónico gere de forma quase perfeita esta avalancha de binário. Ou seja, raramente levamos empurrões nas costas pelo binário descontrolado. E se usar o modo Sport, a gestão é ainda mais criteriosa sendo um regalo levar o Velar até um desempenho que não era expectável.

A experiência de condução é excelente, com quase tudo bem controlado – talvez os ruídos aerodinâmicos sejam a maior dificuldades, embora longe de serem um problema – tendo como ajuda a suspensão adaptativa com molas pneumáticas. Optando pelo modo Normal, o sistema filtra tudo e mais alguma coisa e parece que vamos ao volante de um colchão. Monótono e bom para quem não goste de ação, pelo que o modo Dynamic é o passo seguinte. Até porque neste modo, o Velar passa com distinção sobre os habituais obstáculos citadinos (lombas, bandas sonoras, buracos, etc.) e consegue controlar de forma ideal os movimentos da carroçaria. É verdade que o carro parece um nadinha vago e bamboleante quando o atiramos para uma curva, mas a verdade é que o Velar se mantem imperturbável.

Porem, não pense que este é um carro que possa pedir meças a um Porsche Macan, por exemplo. Este é um Range Rover, ou seja, consegue ser rápido e eficiente na maior parte das situações, tem um modo Sport que permite ir um pouco mais além que no modo Dynamic (rebaixando o carro e endurecendo as unidades pneumáticas), mas não tendo as barras estabilizadoras ativas do Range Rover Sport, não consegue ser tão envolvente na condução. E não vale a pena abusar, pois as coisas podem ser complicadas com a traseira a perder a compostura.

A vantagem regressa ao lado do Velar quando olhamos para as capacidades fora de estrada. Graças à suspensão pneumática, os modos fora de estrada aumentam de forma clara a distância ao solo, mudam a calibração do motor e com a ajuda da eletrónica – não há caixa de transferências no Velar – que modifica as afinações do controlo de estabilidade, passagens de caixa, diferenciais e controlo de tração, o Velar vai onde os seus rivais não chegam. E para saber o que está a acontecer, o “head up display” exibe as articulações dos eixos e a percentagem de inclinação e do bloqueio dos diferenciais.

Veredicto

O Velar é um carro bonito que é caro e parece caro e luxuoso, mas que oferece muito por aquilo que custa. É grande o suficiente para não ter grandes constrangimentos no que toca à habitabilidade, tem uma bagageira generosa, mas não é demasiado grande para colocar problemas em cidade. Anda depressa e curva de forma segura em alcatrão, tem enorme capacidade fora de estada, melhor que a maioria dos rivais. O interior é tecnológico, feito com qualidade e deixa qualquer um de boca aberta, sendo um local onde se está bem. Seguro, relaxante, o Velar é bonito. Se isso vale os 100 mil euros pedidos…

FICHA TÉCNICA

Range Rover Velar D300 Dynamic R

Motor 6 cilindros em V, injeção direta, turbo diesel; Cilindrada (cm3) 2993; Diâmetro x curso (mm) 84 x 90; Taxa compressão 16,1; Potência máxima (cv/rpm) 300/4000; Binário máximo (Nm/rpm) 700/1500; Transmissão e direcção Tração integral permanente, caixa automática de 8 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr) Independente tipo McPherson; independente multibraços; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura 4803/2032/1665; distância entre eixos 2874; largura de vias (fr/tr) 1644/1663; travões fr/tr. Discos vent.; Peso (kg) 1959; Capacidade da bagageira (l) 673/1731; Depósito de combustível (l) 66; Pneus (fr/tr) 255/45 R21; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 6,5; velocidade máxima (km/h) 241; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 5,8/7,4/6,4 (consumo real medido 7,9 l/100 km); emissões de CO2 (g/km) 167; Preço da versão ensaiada (Euros) 108.795

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