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Primeiro ensaio Kia Rio 1.0 T-GDI 100CV: prático e fácil de usar

É sempre bom quando uma marca chega com um carro novo a um segmento onde (ainda) não é figura de primeiro plano e oferece o seu produto sem pretensões a ser “o” melhor do segmento, mas tentando ser bom em tudo. É assim a quarta geração do Rio, feito sob a mesma base do novo Hyundai i20, com um estilo muito agradável que respeita a identidade da marca e um novo motor a gasolina sobrealimentado com 1.0 litros. A qualidade acima do habitual e alguns requintes tecnológicos oferecidos de série significam que o tempo dos coreanos baratos… já era, pois com este motor com 100 CV e o equipamento de topo TX o preço é de 19.300 euros.

Sabem qual é a sensação que o Kia Rio me oferece? Que tudo foi pensado e realizado com o propósito de satisfazer as necessidades do segmento, sem nenhum bónus ou destaque extra. O que não é, necessariamente, mau pois olhando para o Rio, está lá todo o código genético da marca coreana, encimado pela grelha “tiger nose” e os faróis rasgados para cima como sucede no Kia Picanto. No interior, temos direito a uma montagem rigorosa, materiais com qualidade apropriada para o segmento, boa posição de condução, espaço suficiente olhando à média do segmento e uma insonorização aceitável.

Interior de qualidade

Aqui está, claramente, o ponto forte deste Rio. E não vale a pena criticar alguns plásticos nos forros das portas ou nas molduras das portas, pois não há ninguém que faça muito melhor. Além disso, o tablier está bem acabado e a sensibilidade ao toque nos materiais é bem mais agradável do que seria expectável.

Outra vantagem está no sistema de info entretenimento, fácil de usar, intuitivo e com todas as funções que os clientes de hoje exigem. E de bónus a Kia oferece o Apple CarPlay e o Android Auto, certo que nos equipamentos de topo, mas oferece. Quer isto dizer que o modelo que ensaiei custa quase 20 mil euros, mas tem isto tudo.

Como referi acima, o espaço interior é suficiente e no banco traseiro cabem dois calmeirões mesmo que ao volante esteja um terceiro calmeirão. Na verdade, o espaço interior do Rio acaba por se destacar, o mesmo se passado com a bagageira que, reclama a Kia, é recordista do segmento. Infelizmente, para ter tanta capacidade, tem um piso muito fundo, o que deixa uma distância que pode partir um item mais frágil se o deixarmos cair da travessa de acesso para dentro da mala.

Motor agradável

O motor de três cilindros é novo e mostra carácter com bom dinamismo até ás 4 mil rotações por minuto. Suave e medianamente silencioso, perde-se um bocadinho a partir daquele patamar. Olhando aos rivais, o motor da Kia consegue ser flexível e rápido em ambiente urbano como aqueles, mas não é tão agradável em situações extra urbanas, perdendo na comparação com um Ford Fiesta, um Skoda Fabia ou até o Opel Corsa, cujos motores 1.0 litros são mais entusiasmantes. Mas, o trabalho feito pelos homens da Kia é muito bom pois o motor é espigadote, mesmo nesta versão com 100 CV.

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Esta versão menos potente tem caixa de cinco velocidades e aqui, dizer que o comando é um bocadinho vago e duro. A quinta marcha é um nadinha longa o que ajuda a andar na auto estrada a ritmos sustentáveis com o bloco tricilindrico a ronronar e com consumos muito interessantes.

Colocado em andamento, o Kia Rio tem duas faces bem diferentes. O comportamento é bom, sem falhas, mas também sem especial emoção. A direção é leve e rápida o suficiente para ser ágil em cidade, ganhando peso com a velocidade e oferecendo-nos confiança no eixo dianteiro para aumentar o ritmo. Aliás, gostei bastante da direção deste Rio.

O Rio faz tudo isto bem, mas sem especial vigor ou emoção como sucede com um Fiesta, por exemplo. É isso um defeito? Não!!! pois o Kia Rio deve ser o carro do segmento mais fácil de conduzir e dos mais seguros. Estável em linha reta, competente a curvar. Enfim, faz aquilo que é preciso sem mais nenhum bónus. Exatamente aquilo que referi no início.

A outra face é o conforto. Olhando aos rivais, o Rio é um nadinha mais duro e em algumas situações, como a passagem por lombas ou buracos mais profundos, começa por ser suave, mas depois a reação na saída do eixo traseiro é mais seca. Se optar pelas jantes de 17 polegadas, ganha no estuilo, perde no conforto. Mesmo assim, não posso considerar o Rio um carro duro ou desconfortável, pois em pisos liso ou moderadamente danificado, o Kia passa com razoável distinção. E sei do que falo pois andei no banco de trás, onde há espaço suficiente e o conforto é aceitável mesmo nos pisos mais esburacados.

Veredicto

Fazer um carro a pensar apenas em satisfazer apenas o necessário sem oferecer nada mais, pode ser um risco e o Kia Rio acaba mesmo por sofrer um pouco na comparação com os seus rivais. Deixou de ser o mais barato do segmento e para ter todo o equipamento, tem de pagar mais por isso. Exatamente 19.300 euros. Depois, há carros como o Skoda Fabia, ligeiramente mais espaçoso que o Rio e modelos como o Ford Fiesta ou o Mazda 2, que são mais divertidos de conduzir e, no mínimo, tão práticos como o Rio. Enfim, a Kia fez um utilitário que toca as teclas certas, mas não ousa ir mais além e acaba ultrapassado por alguns rivais em pontos vitais. Os sete anos de garantia são uma benção, pois é um descanso enorme ter um carro que metade da sua vida útil está coberta pela garantia. E no final do dia, apesar de tudo, o Kia Rio é um automóvel giro, competente, feito com qualidade e fácil de utilizar.

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FICHA TÉCNICA

Kia Rio 1.0 T-GDI 100

Motor 3 cilindros em linha, injeção direta, turbo, gasolina; Cilindrada (cm3) 998; Diâmetro x curso (mm) 71 x 84; Taxa compressão 10,0:1; Potência máxima (cv/rpm) 100/4500; Binário máximo (Nm/rpm) 172/1500-4000; Transmissão e direcção Tracção dianteira, caixa manual de 6 velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr) Tipo McPherson; eixo de torção; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura  4065/1725/1450; distância entre eixos 2580; largura de vias (fr/tr) 1518/1524; travões fr/tr. Discos ventilados/tambores; Peso (kg) 1115; Capacidade da bagageira (l) 325/980; Depósito de combustível (l) 45; Pneus (fr/tr) 205/45 R17; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 10,7; velocidade máxima (km/h) 188; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 3,1/5,2/3,5; emissões de CO2 (g/km) 102; Preço versão ensaiada (Euros) 19.300

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