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Primeiro ensaio Mercedes X250d: afinal não é bem assim…

Poderá pensar que o título deste primeiro ensaio foi roubado ao Nuno Markl, mas não é verdade pois é da minha lavra e quer dizer que, afinal, o Mercedes Classe X não é, apenas, a versão de Estugarda da pick-up da Nissan. A base é essa, mas há ali muito trabalhinho dos homens da Mercedes. Resta saber se o trabalho foi bem ou mal feito e se o Classe X é um substituto dos SUV ou mero capricho Mercedes?

[quote align=”right” color=”#999999″]Sem dúvida nenhuma, o Classe X faz o segmento dar um passo em frente, sendo um automóvel que reduz sobremaneira o compromisso face a um SUV. Se considera ter uma pick-up como modelo quotidiano e não apenas para levar o barco á marina ou ir de fim de semana até á herdade, a escolha terá de ser este Mercedes Classe X[/quote]
A esta hora estão todos a salivar para lhes explicar porque razões a Mercedes se lembrou de fazer uma pick-up, ainda por cima baseada na Nissan Navara. Pode fazer as conjeturas que entender e desenhar vários cenários que, provavelmente, não descobre a charada. Então, perguntam vocês, porque a Mercedes veio para este segmento? Dinheiro! E, também, ser a primeira marca Premium a dar o salto e a oferecer uma proposta num segmento que tem vindo a crescer de forma clara na Europa. Com esta movimentação, espera a Mercedes repetir o que fez com o Classe M quando surgiu no segmento dos SUV Premium.

Pelo posicionamento, o Classe X teve de receber algumas modificações face ao Nissan Navara, esforçando-se, arduamente, os técnicos e designers da Mercedes para que a Navara de base se aproximasse daquilo que é um verdadeiro Mercedes, seja no estilo, na sensação e, mais difícil, no comportamento.

O contacto com o X250d 4Matic não foi longo, mas numa primeira opinião, tenho de dizer que a Mercedes alcançou os seus objetivos, embora tenha de recordar que estamos a falar de uma “pick-up” e, portanto, este alcançar de objetivos é sempre relativo em todas as áreas que acima referi. Ou seja, a Mercedes evoluiu a Navara para os seus padrões, mas o Classe X fica, naturalmente, aquém de ser um verdadeiro Mercedes. Nem nunca o poderia ser!

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Até porque lançado num mercado onde o seu alvo maior é o Volkswagen Amarok, começar com um motor turbodiesel de quatro cilindros e menos de 200 CV, face ao V6 atualmente montado no Amarok, não é grande ideia. Mas fiquem descansados que no segundo semestre de 2018 chegará o bloco V6 de 3.0 litros e 258 CV, com tração 4Matic permanente e caixa 7 G-Tronic. Um must!

SERÁ O CLASSE X O NOVO LÍDER ENTRE AS PICKUP?

Seja entre nós ou no estrangeiro, a VW ainda não vale tanto como a estrela de três pontas da Mercedes e, por isso, poderia ser levado a pensar que o Classe X seria o novo rei do segmento. Infelizmente, nunca conduzi uma Amarok (nunca consegui que a VW Veículos Comerciais me emprestasse uma…) e por isso não consigo dizer qual é melhor entre as duas. Quem já conduziu a VW diz-me que a máquina de Wolfsburg, agora com o V6 TDI, é uma excelente proposta e um produto já maduro. Não tenho pejo nenhum em dizer que é das pick-up mais bonitas do segmento e das que melhor aspeto exibe. E voltando a socorrer-me dos amigos, a Amarok é muito confortável, o que não deixa de ser espantoso pois ainda usa molas de lâminas no eixo traseiro.

Aqui reside uma enorme diferença do Classe X face aos rivais, exceção feita á Nissan Navara, claro… a suspensão! O Mercedes Classe X utiliza o eixo traseiro rígido da Nissan, ou seja, suspensões com molas helicoidais, amortecedores e cinco braços de guiamento. Ou seja, mais parece a suspensão de um modelo de passageiros que um carro de trabalho/lazer. É curioso saber que a Nissan lançou a Navara já há algum tempo, mas que a Mercedes esteve envolvida no projeto, pois só assim justificava a criação de um Classe X que, ainda assim, recebe o sistema da Navara, mas com várias alterações.

Os técnicos da Mercedes mudaram as molas, os amortecedores, os casquilhos e até a geometria da suspensão traseira, tudo no sentido de encontrar um comportamento referencial e o justo equilíbrio com o conforto, num conjunto que deveria ser o mais equilibrado de todos. Além disto, os homens da Mercedes aumentaram a largura das vias e reforçaram o chassis. Contas feitas a todas estas alterações, o Classe X não se parece mesmo nada com a Navara nestes capítulos.

DIFERENÇAS, DIFERENÇAS

Num primeiro olhar, reconhecemos o corpo da Nissan Navara, mas depois percebemos que tudo, ou quase, está diferente. A frente não deixa dúvidas e na traseira a estrela de três pontas e o nome do modelo permite-nos dizer que este é um Mercedes. Curiosamente, a Mercedes não diz quais as percentagens de peças que cambiou, argumentando que tudo faz parte de um processo de mudança e por isso não interessa catalogar as alterações feitas.

Mais ainda quando no interior (quase) não há nada que seja Nissan. Peças vieram do Classe C, e do Classe V para compor o ramalhete do interior e do tablier que é uma réplica daquilo que a casa de Estugarda faz em outros modelos. Se procurar bem encontrará coisas da Nissan, pelo menos as chaves (são iguaizinhas), o comando do sistema de tração integral e alguns materiais de menor valia, sendo que todos, ao toque, não exalam a mesma qualidade que um Mercedes convencional.

Ei! Está é uma pick-up!! Ou seja, tem uma função clara para a qual nasceu e não vale a pena inverter essa situação. E mesmo que alguns materiais não façam par com outros modelos da gama, para uma pick-up que tem como missão ser comercial o nível é bem elevado. Há personalização disponível para o interior, que é bem superior à oferecida pelos seus rivais de segmento, além de muitos opcionais como pode ler clicando aqui. Destaque, só, para a ligação do smartphone e do smart watch, uma estreia no segmento. Ergonomicamente, tudo está bem feito, mas não se percebe por que razão o volante só regula em altura e os bancos têm pouca amplitude de regulação.

IMPRESSIONA EM ESTRADA

Mais uma vez, para uma pick-up, o Classe X impressiona. O tempo que os técnicos da Mercedes passaram de volta da suspensão acaba por pagar dividendos. Conseguiram fazer uma pick-up que é estável e confortável em velocidades de cruzeiro e acima delas, capaz de negociar curvas com um à vontade inesperado – desligando o controlo de estabilidade a traseira descola com graciosidade e sem criar muitos problemas – e passar por buracos enormes sem grandes problemas. Além disso, não nos cansamos ao volante, tal a qualidade dos bancos e da suspensão.

Todos sabemos que uma pick-up não é um exemplo de conforto ou de comportamento em estrada. Quem gosta, como eu, deste tipo de veículos, tende a desvalorizar essa incapacidade natural de um chassis de longarinas e eixo rígido traseiro, em curvar depressa ou com competência.

Porém, o Mercedes Classe X é, na minha opinião, e não conhecendo o VW Amarok, aquele que mais se aproxima de um veículo convencional. Verdade que um piso mais degradado faz sacudir a carroçaria e que mudanças de direção demasiado rápidas exigem atenção e cuidado, mas fora isso, não há muito que criticar.

Experimentei o X250d na versão de 192 CV e, olhando ao que este Classe X consegue fazer, o motor está um nadinha justo. É que curvamos mais depressa que na Nissan e sente-se que falta… músculo! Até porque pesa mais de 2,5 toneladas…

Sim, com isto estou a dizer-lhe que, provavelmente, será melhor esperar pelo motor V6. É verdade que a Mercedes trabalhou, muito, para integrar a caixa de variação contínua da Nissan com o bloco de quatro cilindros, mas falta mais músculo e, sobretudo, melhor caixa automática. Além disso, a tração será permanente com a repartição 40/60 (frente/trás), o que deixa antever ainda melhor comportamento. Por agora, o Classe X tem direito ao sistema não permanente da Nissan, que pode ter o diferencial traseiro autoblocante (opcional) e mais 2 cm de altura ao solo (opcional).

Quanto a equipamento e preços, pode clicar aqui e verificar tudo.

Veredicto

Será este Classe X tão bom que pode ser uma alternativa aos SUV? Não! Porque continua a ser, na essência, um carro de trabalho – e o Classe X tem todas as características como a capacidade de carga e de reboque – com as limitações inerentes a essa situação. Mas, sem dúvida nenhuma, o Classe X faz o segmento dar um passo em frente, sendo um automóvel que reduz sobremaneira o compromisso face a um SUV. Se considera ter uma pick-up como modelo quotidiano e não apenas para levar o barco á marina ou ir de fim de semana até á herdade, a escolha terá de ser este Classe X, pois toda a concorrência (pelo menos a que conheço) empalidece face a este Mercedes. Que belo trabalho os homens de Estugarda fizeram! Imagino o que vai acontecerá quando a AMG tomar conta do Classe X…

FICHA TÉCNICA

Mercedes X250d 4Matic Power

Motor 4 cilindros em linha, injeção direta, turbodiesel; Cilindrada (cm3) 2298; Diâmetro x curso (mm) 85 x 101,3; Taxa compressão 15,4; Potência máxima (cv/rpm) 190/3750; Binário máximo (Nm/rpm) 450/1500 – 2500; Transmissão e direcção Tração traseira ou integral, caixa automática de 7 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr) Independente tipo McPherson; eixo rígido com cinco braços de guiamento e molas helicoidais; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura 5340/1920/1819; distância entre eixos 3150; largura de vias (fr/tr) 1632/1625; travões fr/tr. Discos vent.; Peso (kg) 2259; Capacidade da bagageira (l) 1000 kgs; Depósito de combustível (l) 73; Pneus (fr/tr) 255/60 R18; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 11,8; velocidade máxima (km/h) 175; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 6,9/9,6/7,9; emissões de CO2 (g/km) 207; Preço da versão ensaiada (Euros) 54.657

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