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Primeiro ensaio: Seat Ibiza 1.6 TDI 115

Será um dos nomes mais antigos que permanecem no mercado, juntamente com o Corsa da Opel, o Micra da Nissan, o Clio da Renault e o Fiesta da Ford, tendo chegado a mais uma geração, vejam só, sem motores diesel no arranque das vendas. E se é verdade que os diesel começam a ser cada vez mais mal amados, ainda representam negócio e por isso a Seat não demorou muito a oferecer ao Ibiza um bloco turbodisel com várias faces, leia-se, potências. Aqui fica o primeiro ensaio ao Ibiza diesel que, digo-lhe desde já, não me fez mudar de opinião. Sobre os diesel, claro!

[quote align=”right” color=”#999999″]Não vale a pena optar por este Ibiza TDI. Os valores residuais continuam a ajustar-se e não tardará muito a dar-se a inversão com os gasolina a valerem mais. Não há nenhuma razão para não escolher o Ibiza 1.0 TSI 115 CV e embolsar 4.411 euros! Nenhuma!!![/quote]
O Ibiza chegou ao mercado dos utilitários com fortes ambições, respaldado na estreia da plataforma MQB A0, a versão mais pequena da base utilizada pela maioria dos modelos fabricados pelo grupo VW e na utilização de uma mão cheia de motores e tecnologias de primeira água.

Além disso, o centro de estilo da casa espanhola pegou na matriz usada nos seus mais recentes modelos e com formas geométricas, linha retas e tensas, conseguiu encolher o Leon sem que o Ibiza se pareça, em demasia, com aquele. A linha que vinca a lateral do carro liga os grupos óticos da frente e da traseira, num conjunto muito agradável á vista. O interior rima com o exterior, tendo vantagem face ao anterior modelo. Onde?

Bom, tendo o mesmo tamanho, a distância entre eixos é muito e as vias são bem mais largas. Ora, as rodas são, assim, empurradas para os quatro cantos do carro, libertando valioso espaço no interior.

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Infelizmente, os homens da Seat esqueceram-se de oferecer mais espaços para arrumação e se todos vão ficar felizes com o aumento de espaço no banco traseiro, não vão deixar de refilar pela ausência de encosto de braços, porta copos e saídas de ar do sistema de climatização. Porem, não há carro do segmento – exceção feita ao Honda Jazz que é mais um monovolume que outra coisa – mais espaçoso que o Ibiza.

Olhando para o habitáculo do Ibiza, destaque, ainda, para os bancos vindos dos modelos com a plataforma MQB “normal”, confortáveis e com bom suporte e ampla regulação – que se traduz numa posição de condução que, sendo confortável, é quase “standard” nos modelos VW e como durante a semana em que experimentei o Ibiza andei de Polo mais se acentuou esta ideia – e para o painel de instrumentos perfeitamente legível.

CONECTIVIDADE E EQUIPAMENTO

No que toca ao sistema de info entretenimento, a Seat decidiu seguir o seu caminho, recusando a moda dos ecrãs flutuantes à imagem dos tablets. No Ibiza há três níveis de ecrã (preto e branco, 6 e 8 polegadas a cores) e um enorme plástico pintado de preto brilhante a enquadrá-lo. Em algumas versões há uma enorme régua da cor do carro que atravessa todo o tabliê. Não choca e está bem montado.

Aliás, o Ibiza tem um bom nível de montagem, mas olhando para o Seat e para o Polo, por exemplo, percebe-se onde é que os espanhóis decidiram gastar o dinheiro. Sendo certo que o comprador de um Seat é cerca de 10 anos mais novo que o de um Volkswagen, a marca de Martortell decidiu investir na conectividade e nas minudências que os mais jovens gostam. Dai a conectividade avançada, a excelente qualidade capacitiva do ecrã – sensível ao toque e até capaz de antever o que vamos fazer ao revelar menus “escondidos” até aproximarmos os dedos – a utilização do Apple CarPlay e Android Auto, entradas USB e AUX e, ainda, o sistema de som Beats. Muito mais barato que um Bose, usado, por exemplo, no Nissan Micra, o áudio do Ibiza passa bem sem o sistema da marca americana, conhecida pelos seus auscultadores Beats By Dr. Dre. O sistema é demasiado agressivo e não tem, realmente, a qualidade do sistema Bose da Nissan. O equipamento é muito completo e vive-se bem a bordo do Ibiza, mesmo com os plásticos menos exuberantes. Ainda assim, com qualidade suficiente. Falta dizer que a bagageira é bem maior agora com 355 litros (são mais 63 litros que o anterior modelo).

Leia aqui tudo sobre o Seat Ibiza

A grande surpresa do lançamento do Seat Ibiza foi, mesmo, a ausência de motores a gasóleo na gama. Se isso acontecesse há cinco anos, a Seat seria acusada de erro estratégico crasso, seria a morte do Ibiza. Só que, entretanto, aconteceram muitas coisas, entre elas o Dieselgate nos EUA que desaguou num histerismo ridículo de Governos um pouco por toda a Europa, empurrados pela política para decisões sem pés nem cabeça. Esse histerismo colou-se ao mercado e o Ibiza ser lançado sem motores a gasóleo acabou por ser um ato normal e as vendas não sofreram absolutamente nada por via disso.

Porém… há vícios difíceis de acabar e continuam a existir compradores que fazem contas de merceeiro, daquelas de lápis atrás da orelha e, mesmo não fazendo mais que uma ou duas mãos cheias de quilómetros por mês, continuam a querem comprar um carro a gasóleo. “É mais barato ir à bomba e gasta menos que o motor a gasolina e a retoma é melhor.” Disparates atrás de disparates.

Primeiro, os valores de retoma estão a equilibrar-se a cada mês que passa, depois a manutenção é muito mais cara e, finalmente, o preço inicial mais elevado. No caso do Ibiza, os motores a gasolina oferecidos são excelentes, económicos e raçudos, todos cumprem as normas Euro6 e, sobretudo, são muito agradáveis na utilização.

VALE A PENA PENSAR NO DIESEL?

A Seat colocou à minha disposição um Ibiza equipado com o motor 1.6 TDI com 115 CV, o topo da gama diesel, mas com caixa manual. Há uma variante com 95 CV que pode receber a caixa DSG de sete velocidades. Além disso a gama organiza-se em redor de três níveis de equipamento (Reference, Style e XCelence) juntando.se o FR. O modelo de 95 CV tem caixa manual de 5 velocidades, o de 115 CV tem seis marchas.

O primeiro contacto com o Ibiza diesel fez-me sorrir. Sorri porque a Seat decdiu, mesmo, dar uma oportunidade à versão a gasóleo ao focar-se na insonorização e suavidade de utilização.

O carro está muito bem isolado e até nas vibrações o trabalho foi bem feito e tudo se resume a um tremelicar suave dos pedais e do volante. Só vai dar por ela se estiver, mesmo, com atenção. Claro está que quando o motor tem de subir e passa das 1500 rpm, o barulho chega ao habitáculo e percebemos “ah este é um Ibiza diesel”.

O motor de 115 CV, o único que foi possível experimentar, é muito agradável em utilização – nem outra coisa seria de esperar – mesmo que haja ali uma hesitaçãozinha quando o motor está a chegar ao patamar das duas mil rotações por minuto.

A partir dai tudo se passa com suavidade e sem grande fogo de artificio, pois o binário também não é muito. Ainda assim, a curva de binário é muito plana entre as 1500 e as 2600 rpm, pelo que temos uma boa plataforma de utilização sem ser necessário puxar em demasia pelo motor.

Está chegada a hora da comparação. Vale a pena trocar o Ibiza 1.0 TSI 115 pelo Ibiza 1.6 TDI 115 CV? Vamos às tais contas de merceeiro…

DIESEL MAIS CARO!

Patrtindo da mesma base e do mesmo nível de equipamento (Xcelence), o Ibiza 1.0 TSI 115 CV custa 19.783 euros, o Ibiza 1.6 TDI 115 CV fica por 24.194 euros. Ou seja, o diesel, logo á cabeça, custa mais 4.411 euros! Olhemos para outras cifras. A potência é a mesma, mas em termos de performance ambos chegam aos 195 km/h, mas o Ibiza a gasolina é mais rápido dos 0-100 km/h ganhando um pouco mais de meio segundo à versão diesel. O consumo – e aqui vamos usar os valores oficiais e os registados por mim – é de 3,9 l/100 km para o diesel e 4,7 l/100 km para o gasolina. Uma diferença de 0,8 litros. Em condições reais de utilização, a diferença sobe para cerca de 1,5 litros, ou seja, são pouco mais de dois euros de diferença. Assim sendo, faça as contas e veja quantos litros de combustível compra com 4.411 euros… E aqui não entro em linha de conta com a manutenção.

Fica evidente que apenas quem faz milhões de quilómetros ainda pode esgrimir o argumento do consumo como justificação para comprar um carro a gasóleo. Porém, quem faz esses quilómetros todos não vai querer faze-los com um utilitário, certamente!

Veredicto

Apesar de todo este raciocínio, não me custa admitir que o Seat Ibiza TDi será um dos melhores utilitários a gasóleo do segmento, convencendo pela economia, equipamento completo, qualidade e espaço interior e uma experiência de condução agradável, digamos assim. Mas, olhando para as contas que acabei de fazer, não vale a pena optar por este Ibiza. Repare, são 4.411 euros que poupa e com o caminho que a Europa está a enveredar, os valores residuais continuam a ajustar-se e não tardará muito a dar-se a inversão com os gasolina a valerem mais. Não há nenhuma razão para não escolher o Ibiza 1.0 TSI 115 CV e embolsar 4.411 euros! Nenhuma!!!

FICHA TÉCNICA

Seat Ibiza 1.6 TDi 115 CV Xcelence

Motor 4 cilindros em linha, injeção direta, turbodiesel; Cilindrada (cm3) 1598; Diâmetro x curso (mm) 79,5 x 80,5; Taxa compressão 16,2; Potência máxima (cv/rpm) 115/3250 – 4000; Binário máximo (Nm/rpm) 250/1500 – 2600; Transmissão e direcção Tração dianteira, caixa manual de 6 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr) Independente tipo McPherson; eixo de torção; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura 4059/1780/1444; distância entre eixos 2564; largura de vias (fr/tr) 1525/1505; travões fr/tr. Discos vent./discos; Peso (kg) 1258; Capacidade da bagageira (l) 355; Depósito de combustível (l) 40; Pneus (fr/tr) 215/45 R17; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 10,0; velocidade máxima (km/h) 195; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) – / – /3,2 (consumo real medido 4,9 l/100 km); emissões de CO2 (g/km) 102; Preço da versão ensaiada (Euros) 24.194

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